Transformando dados em decisões: o que falta não é informação, é processo
- Pedro Pimentel
- 5 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Você já teve a sensação de que sua empresa produz uma série de números, relatórios e planilhas… mas, na hora de decidir, ainda conta principalmente com sua intuição? Em muitos negócios, não faltam dados, mas sim a tradução deles em ações claras, prioridades objetivas e rotinas simples que realmente façam a diferença no resultado.
Nos últimos anos, empresas de todos os portes adotaram ERPs com relatórios financeiros, planilhas detalhadas de vendas por produto, cliente e canal, ferramentas de CRM e dados de tráfego e conversão dos canais digitais. A informação está ali, disponível.
Ainda assim, o ponto crítico permanece: falta clareza sobre quais métricas realmente importam e rituais de análise que embasam decisões. Sem isso, empresários têm a sensação de que “estão olhando os números”, enquanto, na prática, as escolhas seguem guiadas pela urgência, pela intuição e pela pressão do dia a dia.
Onde as decisões travam na prática?
Em geral, os empreendedores costumam ter problemas parecidos:
Informação dispersa: parte dos dados está com o contador, parte com o financeiro, parte em planilhas de vendedores. Ninguém enxerga o quadro completo.
Relatórios demais, indicadores de menos: produz-se muito número, mas quase nada vira decisão concreta.
Falta de dono para os indicadores: ninguém se sente responsável, de fato, por melhorar um indicador específico.
Reuniões sem foco: discute-se o passado, não as ações que podem impactar o futuro.
O resultado é conhecido: iniciativas começam e param, oportunidades são perdidas e a empresa fica em um eterno ciclo de “apagar incêndios”.
Se você se identifica com essa situação, você não está sozinho.
A boa notícia é que você não precisa de um documento sofisticado para começar a usar dados para tomadas de decisão. Basta ter clareza, foco e disciplina.
Comece pelas perguntas certas, não pelos relatórios
Antes de sair construindo, responda essas três perguntas:
Quais são as 3 decisões mais importantes que você precisa tomar nos próximos 90 dias?
O que tira o seu sono hoje?
Se você tivesse apenas 3 indicadores na parede, quais seriam?
As perguntas certas puxam os dados certos, e não o contrário.
Escolha poucos indicadores que realmente movem a agulha
Para cada decisão crítica, selecione no máximo 3 indicadores, isso evita dispersão e garante foco.
Se o objetivo é aumentar a margem, por exemplo, vale acompanhar qual o desconto médio concedido, o custo de servir cada canal ou cliente e a margem por produto.
Se o foco for fortalecer o caixa, os indicadores mais relevantes são o prazo médio de recebimento e de pagamento, bem como as despesas financeiras.
E, quando a meta for aumentar as vendas de forma saudável, faz diferença monitorar o ticket médio, a taxa de conversão de propostas e a taxa de recompra ou recorrência.
No fundo, o erro mais comum é tentar medir “tudo” e não agir sobre nada. É muito mais eficaz acompanhar poucos indicadores, de forma consistente, do que dezenas de números que ninguém consulta ou transforma em ação.
Defina donos e rituais: dado sem rotina vira enfeite
Dados só viram decisão quando entram, de fato, na agenda da liderança. Para isso, é essencial criar uma estrutura mínima: comece atribuindo um responsável para cada indicador. Quando todo número tem um “nome e sobrenome” por trás, fica mais fácil cobrar avanço e apoiar quem precisa de ajuda.
Depois, estabeleça uma rotina fixa de revisão. Pode ser semanal ou quinzenal, com uma reunião objetiva de 30 minutos, sempre começando pelos indicadores e não pelas opiniões. Os números vêm primeiro; as interpretações e decisões vêm depois. Dessa forma, você evita que a conversa se perca em percepções e foca no que realmente importa.
Por fim, garanta que cada encontro termine com duas ou três ações bem definidas, com responsáveis definidos e prazos estabelecidos. Parece simples, e é. A verdadeira complexidade está em manter essa disciplina semana após semana, sem falhas.
Tire os dados da cabeça e leve para um painel simples
Você não precisa de uma grande plataforma. Um painel básico em Excel ou Google Sheets já resolve para a maioria das empresas. O importante é que:
Todos os indicadores estejam no mesmo lugar;
As fontes dos dados estejam claras;
O painel seja atualizado antes da reunião de acompanhamento; e
Seja visual e rápido de entender.
Quando o time enxerga os dados de forma simples, falar de resultado deixa de ser abstrato. Fica fácil conectar ações do dia a dia com impacto no indicador.
Use os dados para dizer “não” e proteger seu foco
Dados não servem apenas para mostrar oportunidades de crescimento, mas também para apontar onde não insistir mais.
Alguns exemplos de decisões que os números ajudam a sustentar:
Clientes que compram muito, mas sempre pedem desconto, atrasam ou geram retrabalho contribuem com uma margem real muito menor do que parece.
Canais de venda que trazem receita, mas exigem estrutura diferente, prazos longos e alto custo operacional que afetam o resultado da empresa como um todo.
Produtos de baixíssimo giro que travam capital de giro e ocupam espaço no estoque.
Quando você enxerga, em números, o peso de cada cliente, canal ou produto, fica mais fácil tomar decisões corajosas: reduzir linhas, encerrar parcerias ou mudar condições comerciais.
Ter dados não é mais um diferencial. Quase toda empresa minimamente estruturada já tem. O verdadeiro diferencial está em transformar dados em decisões que protegem sua margem, trazem previsibilidade de caixa, orientam investimentos em canais e produtos certos e alinham toda a equipe em torno das mesmas prioridades.
Quando você escolhe os indicadores certos, define donos claros, cria rituais simples e usa os números para dizer “sim” e “não” com convicção, sua empresa deixa de ser refém do improviso e passa a construir crescimento com disciplina. Autor: Leonardo Novais






